Psicóloga explica por que, em um casamento, a melhor preliminar sexual pode ser uma situação cotidiana não relacionada a sexo
Com a ressignificação do que é o sexo na sociedade moderna, sabe-se que práticas como oral e masturbação já fazem parte do ato sexual. Mas, seguindo o raciocínio do meme “preliminar é tirar o gato do quarto”, fica a pergunta: ações não sexuais podem ser preliminares?
A resposta é sim. Situações cotidianas e nada relacionadas ao ato sexual podem interferir diretamente no tesão na hora H — principalmente quando o assunto é casamento. De acordo com a psicóloga Silvana Santos, o sexo é biopsicossocial, ou seja, influenciado por fatores biológicos, psicológicos e sociais.
“Uma vez que somos seres biológicos, psicológicos e sociais, situações cotidianas afetam, sim, os nossos desejos. A depender do seu estado físico, do seu humor, de problemas no trabalho ou até mesmo de influências sociais, como certos padrões de corpo, o nível de desejo pode ser alterado”, explica a estudiosa.
Nesse sentido, em um relacionamento, situações como a parceria deixar de lavar a louça ou esquecer de pagar um boleto pode fazer com que, à noite, o indivíduo não sinta tanto tesão nela.
Pior para as mulheres
Se os fatores externos influenciam no desejo sexual dos homens, das mulheres isso acontece com ainda mais força — e por vários motivos. “A sociedade é muito mais cruel com a mulher. Ensina que ela deve cuidar dos filhos, da casa, do marido, dos pais e do próprio trabalho sorrindo, sendo simpática e solícita”, afirma Silvana.
Essa sobrecarga somada ao fato de que mulheres são socialmente podadas no que diz respeito à sexualidade fazem com que, no fim das contas, questões não sexuais interfiram ainda mais na libido feminina.
Mas, qual seria a solução? Para a especialista, o melhor a se fazer para evitar que o tesão se perca por conta disso é expor para o outro suas preferências ou novas preferências, mostrar onde você está confortável e onde não está, além de tentar entender que o outro também é cíclico.
“A parceria está na disposição dos envolvidos em experimentar o novo ou reinventar o corriqueiro. Mas nem sempre o diálogo é simples. Às vezes, o peso do dia a dia não deixa o casal encontrar espaço só para os dois, e a conversa não passa de discordância. Quando se chega nesse ponto, é importante para o casal procurar terapia”, finaliza.

